Resumo da semana: B3 ajusta e dólar recua no início de 2026

Indicadores refletem baixa liquidez, ajustes técnicos e cenário externo cauteloso

MERCADO

Equipe Feed Financeiro

1/3/2026

O primeiro pregão de 2026 na B3 foi marcado por movimentos contidos e leitura cautelosa por parte dos investidores. Após um 2025 de desempenho expressivo para os ativos locais, o início do novo ano trouxe um ambiente típico de transição, com liquidez reduzida e ajustes técnicos predominando sobre decisões estruturais. O Ibovespa encerrou o dia em leve queda, enquanto o dólar comercial apresentou recuo mais intenso, refletindo o esvaziamento de posições defensivas montadas no fim do ano anterior.

O principal índice da bolsa brasileira fechou aos 160.538 pontos, registrando queda de 0,36% no pregão. A movimentação foi influenciada principalmente por ações ligadas a commodities, em especial frigoríficos e empresas do setor de energia, que passaram por ajustes após notícias externas e revisão de expectativas. Mesmo com o recuo, o índice permaneceu em patamar elevado, indicando que o mercado ainda preserva parte relevante do otimismo construído ao longo de 2025.

Ajustes técnicos e influência setorial no Ibovespa

A dinâmica do pregão evidenciou um comportamento técnico mais do que direcional. Setores sensíveis ao mercado internacional concentraram as principais pressões, refletindo tanto movimentos globais quanto fatores específicos, como restrições comerciais e expectativas de demanda externa. Em um pregão de menor volume financeiro, oscilações pontuais ganharam peso maior na formação do índice, ampliando a percepção de volatilidade mesmo sem mudanças relevantes nos fundamentos.

Ao longo do dia, o Ibovespa oscilou dentro de uma faixa relativamente ampla, mas sem rompimentos consistentes. Esse comportamento reforça a leitura de que o mercado segue em compasso de espera, buscando sinais mais claros sobre a condução da política monetária global, o ritmo de crescimento das principais economias e os próximos passos da política fiscal doméstica.

Dólar recua com menor aversão ao risco no curto prazo

No mercado de câmbio, o dólar comercial teve desempenho mais definido, encerrando o dia cotado a R$ 5,42, com queda de aproximadamente 1,19%. O movimento foi favorecido pela baixa liquidez típica do período e pela desmontagem de posições defensivas adotadas no encerramento do ano anterior. Além disso, a expectativa de manutenção de juros elevados no Brasil, ao menos no curto prazo, contribuiu para sustentar o real frente à moeda americana.

Apesar da queda expressiva no pregão, o comportamento do câmbio ainda inspira cautela. Movimentos pontuais neste início de ano não configuram, por si só, uma tendência duradoura. O dólar segue sensível ao ambiente internacional, especialmente às decisões dos bancos centrais das economias centrais e à evolução do cenário geopolítico, fatores que podem alterar rapidamente o fluxo de capitais para mercados emergentes como o Brasil.

Imagem meramente ilustrativa

Principais informações

  • Ibovespa: 160.538 pontos, -0,36% no dia / ajuste após fim de ano

  • Dólar comercial: R$ 5,42, -1,19% no dia / recuo com baixa liquidez

  • Pregão marcado por volume financeiro reduzido

  • Pressão concentrada em setores de commodities

  • Câmbio influenciado por desmontagem de posições defensivas

  • Mercado em compasso de espera por novos dados econômicos

Opinião Feed Financeiro

O início de 2026 reforça uma característica recorrente dos mercados: a transição entre ciclos costuma ser mais silenciosa do que muitos esperam. A leve correção do Ibovespa não representa, até aqui, uma mudança estrutural de tendência, mas sim um ajuste natural após um período de forte valorização. Já o recuo do dólar, embora relevante no curto prazo, precisa ser interpretado com prudência, especialmente em um ambiente de liquidez reduzida e ausência de novos vetores claros.

Para o investidor, esse cenário exige menos ansiedade e mais leitura de contexto. O mercado ainda busca referências mais sólidas para definir os próximos movimentos, e decisões precipitadas tendem a ser mais fruto de ruído do que de fundamento. Começar o ano observando, entendendo os fluxos e respeitando o tempo do mercado pode ser mais estratégico do que tentar antecipar movimentos que ainda não se desenharam com clareza.

Fontes: Bora Investir (B3), CNN Brasil