Resumo da semana: B3 avança e dólar recua com alívio fiscal e melhora global
Indicadores refletem otimismo interno moderado e apetite por risco no exterior
MERCADO


A terceira semana de outubro foi marcada por um alívio no humor dos mercados. O Ibovespa voltou a subir após duas semanas de quedas, refletindo uma combinação de fatores positivos tanto no cenário interno quanto externo. O principal índice da B3 encerrou a sexta-feira (17) em 143.398,63 pontos, com alta de 0,84% no dia e avanço acumulado de 1,93% na semana. O dólar comercial, por sua vez, recuou a R$ 5,43, registrando queda de 0,35% no dia e retração de 0,41% na semana.
O movimento foi sustentado pela melhora da percepção fiscal no Brasil e por sinais de moderação na economia dos Estados Unidos. Internamente, o governo reafirmou o compromisso com o controle de gastos e a manutenção da meta de resultado primário, o que reduziu as apostas em aumento de risco-país. No exterior, a desaceleração da inflação norte-americana e o avanço nas negociações políticas para evitar o prolongamento do shutdown contribuíram para um ambiente de maior confiança entre investidores institucionais e estrangeiros.
Commodities e energia lideram os ganhos
O desempenho positivo da semana foi impulsionado, sobretudo, por setores ligados à energia e commodities. As ações da Raízen (RAIZ4) subiram mais de 5%, impulsionadas pela retomada das operações da plataforma Peregrino, na Noruega, e pela melhora nas cotações do petróleo. A Prio (PRIO3) também apresentou ganhos expressivos, acompanhando o otimismo no setor e o fortalecimento das perspectivas de exportação.
A valorização das commodities beneficiou outras empresas exportadoras, enquanto o câmbio mais favorável ampliou a rentabilidade de companhias voltadas ao mercado externo. No varejo e nos bancos, o movimento foi mais moderado, mas contribuiu para sustentar o desempenho positivo do Ibovespa ao longo da semana. No geral, o avanço do índice demonstrou que o mercado começa a distinguir entre ruídos políticos de curto prazo e fundamentos econômicos de médio prazo, priorizando companhias sólidas e com margens previsíveis.
Confiança retorna, mas volatilidade persiste
No cenário internacional, o enfraquecimento do dólar em relação às principais moedas globais impulsionou os ativos emergentes. A divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos abaixo do esperado reforçou a expectativa de que o Federal Reserve poderá encerrar o ciclo de alta de juros, reduzindo a pressão sobre países em desenvolvimento. Essa leitura trouxe fôlego adicional aos mercados de ações, incluindo o Brasil, que vinha sofrendo com saídas líquidas de capital estrangeiro desde o início de outubro.
A diminuição da aversão global ao risco favoreceu o fluxo de capitais para o Brasil, com investidores estrangeiros retomando posições em ações e renda variável. Ainda assim, analistas alertam que a recuperação é gradual e depende da consolidação do equilíbrio fiscal doméstico. Qualquer sinal de descontrole nas contas públicas pode rapidamente reverter o movimento de confiança conquistado nesta semana e gerar nova pressão sobre o câmbio e os juros futuros.
Imagem meramente ilustrativa
Principais informações
Ibovespa: 143.398,63 pontos (+0,84% no dia / +1,93% na semana)
Dólar comercial: R$ 5,43 (–0,35% no dia / –0,41% na semana)
Raízen (RAIZ4) subiu mais de 5% com retomada da plataforma Peregrino
Prio (PRIO3) acompanhou o avanço do petróleo
Setores de energia e commodities impulsionaram o índice
Câmbio refletiu redução da aversão global a risco
Governo reforçou compromisso com o equilíbrio fiscal
Opinião Feed Financeiro
A semana marcou uma trégua no clima de tensão dos mercados, mostrando que o simples gesto de reafirmar compromissos fiscais pode devolver parte da confiança perdida. A reação do investidor foi imediata: o real ganhou força e o Ibovespa recuperou terreno, numa demonstração de que previsibilidade e responsabilidade continuam sendo os pilares do equilíbrio econômico.
No entanto, o momento ainda exige cautela. A recuperação observada é mais reflexo do alívio externo do que de avanços estruturais internos. O mercado tende a testar o discurso fiscal do governo, e qualquer sinal de retrocesso pode reacender a volatilidade. Mesmo assim, o tom mais construtivo desta semana pode ser interpretado como um lembrete de que confiança e estabilidade são construídas em conjunto, com coerência entre política e economia.
Em períodos como este, disciplina e análise se tornam indispensáveis. O investidor prudente deve aproveitar o ambiente mais estável para revisar sua estratégia, reforçar reservas e ajustar sua exposição ao risco. Em economia, a confiança é construída lentamente — e perdida em um só pregão. O desafio agora é transformar esse alívio pontual em consistência duradoura.
Fontes: E-Investidor, InfoMoney
