Resumo da semana: B3 avança e dólar recua com apoio fiscal e otimismo global
Indicadores refletem melhora da confiança doméstica e alívio nas expectativas externas
MERCADO


A penúltima semana de outubro encerrou com sinais de fôlego para os mercados brasileiros. O Ibovespa manteve o ritmo de alta iniciado na semana anterior e consolidou um desempenho positivo diante da combinação entre melhora da confiança fiscal e apetite global por risco. O principal índice da B3 terminou a sexta-feira (24) em 146.172 pontos, com ganho diário de 0,31% e avanço acumulado de 1,93% na semana. O dólar comercial recuou para R$ 5,39, com leve alta de 0,12% no dia, mas queda acumulada de 0,24% no período.
O cenário de alívio foi impulsionado por fatores domésticos e externos. No Brasil, o compromisso do governo com a disciplina fiscal e o avanço de medidas de ajuste orçamentário ajudaram a reduzir as incertezas sobre a trajetória das contas públicas. Já no ambiente internacional, a percepção de que o Federal Reserve poderá encerrar o ciclo de alta de juros ainda em 2025 reduziu a pressão sobre economias emergentes e sustentou o bom humor global.
Commodities e setor financeiro puxam o índice
Os setores de energia e commodities voltaram a exercer papel central no desempenho da Bolsa. As ações da Petrobras avançaram acompanhando a recuperação do preço do petróleo Brent, que voltou a operar acima dos US$ 90 por barril. Já o setor de mineração se beneficiou da alta do minério de ferro e do aumento da demanda chinesa por insumos industriais.
O setor financeiro também contribuiu para a alta do Ibovespa. Grandes bancos registraram valorização apoiada em resultados trimestrais consistentes e na expectativa de estabilidade da taxa Selic. A combinação de maior previsibilidade monetária e fluxo estrangeiro positivo reforçou o sentimento de confiança dos investidores. No acumulado do mês, o mercado brasileiro voltou a figurar entre os de melhor desempenho da América Latina.
Cenário internacional e câmbio mais equilibrado
No exterior, a semana foi marcada pela queda do rendimento dos Treasuries americanos e pelo enfraquecimento do dólar frente às principais moedas globais. Dados econômicos divulgados nos Estados Unidos mostraram desaceleração gradual da inflação e do mercado de trabalho, o que aumentou as apostas de que o banco central americano deverá adotar uma postura mais neutra nos próximos meses.
A redução da aversão ao risco favoreceu o ingresso de capital estrangeiro em países emergentes, beneficiando diretamente o real. Apesar das oscilações pontuais, o câmbio encerrou a semana em leve queda, refletindo a melhora do sentimento global e o aumento do fluxo de investimentos voltados à renda variável. Esse movimento foi reforçado pela percepção de que o Brasil mantém fundamentos sólidos, mesmo em meio a desafios fiscais.
Imagem meramente ilustrativa
Principais informações
Ibovespa: 146.172 pontos (+0,31% no dia / +1,93% na semana)
Dólar comercial: R$ 5,39 (+0,12% no dia / –0,24% na semana)
Setor financeiro sustentou parte dos ganhos na B3
Petróleo e minério de ferro impulsionaram empresas exportadoras
Redução dos rendimentos dos Treasuries favoreceu emergentes
Fluxo estrangeiro positivo apoiou a valorização do real
Ambiente fiscal mais previsível reforçou o otimismo interno
Opinião Feed Financeiro
A retomada do otimismo nos mercados reflete o poder da previsibilidade. Quando o discurso fiscal é coerente e a política monetária externa sinaliza moderação, o investidor encontra terreno mais estável para agir. O avanço do Ibovespa e o recuo do dólar reforçam a importância da consistência entre as decisões políticas e a confiança dos agentes econômicos.
Contudo, o atual cenário ainda é frágil. Parte desse alívio depende da manutenção do compromisso fiscal e da estabilidade das expectativas inflacionárias. Um único ruído na comunicação do governo ou um dado econômico negativo no exterior pode devolver a volatilidade rapidamente.
Em momentos assim, prudência e disciplina continuam sendo aliados indispensáveis. O investidor consciente busca oportunidades sem perder de vista a gestão de risco, lembrando que o verdadeiro equilíbrio financeiro nasce da constância — e não da euforia momentânea.
Fontes: Exame, MoneyTimes
