Resumo da semana: B3 em ajuste técnico e dólar recua com dados externos no radar

Indicadores refletem inflação doméstica controlada e sinais de desaceleração da economia global

MERCADO

Equipe Feed Financeiro

1/10/2026

A primeira semana cheia de negociações de 2026 foi marcada por um movimento de acomodação no mercado brasileiro. Após um início de ano com liquidez ainda reduzida, a B3 apresentou comportamento mais organizado, com investidores reagindo a dados macroeconômicos relevantes tanto no Brasil quanto no exterior. O Ibovespa encerrou a semana em alta moderada, enquanto o dólar comercial recuou, refletindo um ambiente de menor aversão ao risco e ajustes nas expectativas sobre juros globais.

No fechamento da sexta-feira, o principal índice da bolsa brasileira terminou aos 163.370 pontos, com avanço de 0,27% no dia e ganho acumulado de aproximadamente 1,93% na semana. Já o dólar comercial encerrou cotado a R$ 5,36, com queda de cerca de 0,44% no pregão e recuo semanal em torno de 1,06%. Esses movimentos ocorreram em meio à divulgação de indicadores importantes, como dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e a leitura da inflação brasileira, que ajudaram a balizar o humor dos investidores.

Dados internacionais influenciam o apetite por risco

O desempenho positivo do Ibovespa esteve fortemente ligado ao cenário externo. Nos Estados Unidos, os números mais recentes do mercado de trabalho indicaram desaceleração na criação de vagas, reforçando a percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma postura mais flexível ao longo de 2026. Essa leitura favoreceu os mercados acionários globais e estimulou fluxos para ativos de países emergentes, como o Brasil.

Além disso, a reação das bolsas internacionais contribuiu para um ambiente mais construtivo ao longo da semana. Mesmo com oscilações intradiárias, o índice brasileiro conseguiu sustentar níveis elevados, próximos das máximas históricas, mostrando resiliência diante das incertezas externas. O comportamento dos investidores indicou maior seletividade, com foco em empresas de maior liquidez e exposição a ciclos econômicos globais.

Câmbio reage a inflação doméstica e expectativas de juros

No mercado de câmbio, o dólar comercial apresentou queda consistente ao longo da semana. O movimento foi favorecido pela combinação de fatores externos e internos. No Brasil, a divulgação de dados de inflação dentro da meta reforçou a percepção de estabilidade no cenário macroeconômico, reduzindo prêmios de risco e sustentando o real frente à moeda americana.

Ao mesmo tempo, a expectativa de que os juros internacionais possam entrar em trajetória de queda nos próximos meses diminuiu a atratividade do dólar como ativo defensivo. Esse contexto incentivou a realocação de capital para mercados emergentes, pressionando a cotação da moeda americana para baixo. Ainda assim, o comportamento do câmbio segue sensível a novas informações, especialmente relacionadas à política monetária global e ao ritmo de crescimento das principais economias.

Imagem meramente ilustrativa

Principais informações

  • Ibovespa: 163.370 pontos, +0,27% no dia / +1,93% na semana

  • Dólar comercial: R$ 5,36, -0,44% no dia / -1,06% na semana

  • Dados de emprego nos EUA abaixo do esperado

  • Inflação brasileira dentro da meta

  • Fluxo externo favorecendo mercados emergentes

  • Liquidez ainda moderada no início do ano

Opinião Feed Financeiro

O comportamento do mercado nesta semana reforça a importância de diferenciar movimentos estruturais de ajustes de curto prazo. A alta do Ibovespa e a queda do dólar não indicam, isoladamente, uma mudança definitiva de tendência, mas refletem um reposicionamento natural dos investidores diante de novos dados econômicos. Em momentos como este, o mercado passa a precificar expectativas futuras mais do que reagir a fatos já conhecidos.

A leitura do cenário sugere que 2026 pode começar com maior sensibilidade aos indicadores macroeconômicos, tanto domésticos quanto internacionais. Para o investidor, isso exige disciplina e foco no contexto, evitando decisões baseadas apenas em oscilações pontuais. O equilíbrio entre otimismo e cautela tende a ser o fio condutor deste início de ano, em um ambiente que ainda demanda atenção constante à evolução dos dados e à comunicação das autoridades monetárias.

Fontes: CNN Brasil, Agência Brasil