Resumo da semana: B3 Ibovespa avança e dólar comercial oscila com alívio político e cenário externo misto
Indicadores refletem fatores internos de estabilidade institucional e fatores externos ligados a juros globais
MERCADO


O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira, 12 de dezembro de 2025, em alta consistente, retomando um patamar relevante após um período de forte volatilidade. O principal índice da B3 fechou aos 160.766,37 pontos, com avanço de 0,99% no dia, consolidando uma recuperação que também se refletiu no desempenho semanal. O movimento foi sustentado por uma combinação de fatores internos e externos, incluindo alívio no ambiente político doméstico, manutenção do diferencial de juros brasileiro e maior seletividade dos investidores em relação ao risco global.
No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,41, com leve alta frente ao real no pregão, mas acumulando queda na semana. A dinâmica do câmbio refletiu tanto ajustes técnicos quanto a influência do cenário internacional, especialmente as expectativas em torno da política monetária dos Estados Unidos e o fluxo de capital direcionado a mercados emergentes com juros elevados. O comportamento do dólar continuou sendo um dos principais termômetros de cautela do investidor, ainda que sem pressão excessiva sobre os ativos locais.
Ibovespa reage com apoio de bancos e leitura mais construtiva do cenário doméstico
A alta do Ibovespa foi puxada principalmente por ações do setor financeiro e de energia, que se beneficiaram de um ambiente menos tenso no campo político e da manutenção de uma política monetária restritiva no Brasil. A taxa Selic em patamar elevado segue sustentando o interesse por ativos locais, sobretudo entre investidores estrangeiros em busca de retorno real positivo. Além disso, a percepção de menor risco institucional no curto prazo ajudou a reduzir prêmios exigidos pelo mercado, favorecendo uma recomposição gradual de posições em renda variável.
Mesmo com sinais de desaceleração em alguns indicadores econômicos, o mercado demonstrou capacidade de separar ruídos de curto prazo de fundamentos mais estruturais. O desempenho positivo do índice sugere que parte relevante do mercado já havia precificado cenários mais adversos, abrindo espaço para uma recuperação técnica à medida que incertezas mais agudas foram parcialmente dissipadas.
Dólar oscila com cenário externo atento a juros e fluxo para emergentes
O comportamento do dólar comercial ao longo da semana refletiu a cautela dos investidores diante das perspectivas para a política monetária global. Nos Estados Unidos, a expectativa em torno dos próximos passos do Federal Reserve segue influenciando o apetite por risco e a direção dos fluxos cambiais. Ainda assim, o real conseguiu encerrar a semana em valorização frente ao dólar, apoiado pelo diferencial de juros e pela ausência de choques internos mais severos.
A oscilação do câmbio reforça um ambiente de equilíbrio instável, no qual movimentos externos continuam sendo rapidamente transmitidos ao mercado local. Para o investidor, esse cenário exige atenção redobrada à gestão de risco, especialmente em um contexto em que decisões de política monetária e eventos geopolíticos seguem capazes de alterar o humor dos mercados em curtos intervalos de tempo.
Imagem meramente ilustrativa
Principais informações
Ibovespa: 160.766,37 pontos (+0,99% no dia / +2,15% na semana)
Dólar comercial: R$ 5,41 (+0,11% no dia / −0,39% na semana)
Bancos e energia lideraram os ganhos do índice
Entrada líquida de capital estrangeiro na B3
Selic mantida em patamar elevado sustenta diferencial de juros
Opinião Feed Financeiro
O fechamento positivo do Ibovespa nesta semana sinaliza que o mercado brasileiro segue demonstrando resiliência mesmo em um ambiente global ainda marcado por incertezas. A combinação de juros elevados, menor ruído político imediato e avaliação mais criteriosa dos riscos externos tem permitido uma leitura mais construtiva dos ativos locais, ainda que sem euforia. O movimento de recuperação não elimina desafios estruturais da economia brasileira, mas reforça que o investidor continua disposto a alocar recursos quando há previsibilidade mínima e retorno compatível com o risco assumido. Em um cenário de transição e ajustes constantes, a semana deixa claro que o comportamento do mercado será cada vez mais seletivo, exigindo disciplina, análise e cautela na interpretação dos próximos sinais econômicos.
Fontes: InfoMoney, Investing.com, Exame, Reuters
