Resumo da semana: B3 recua e dólar avança com tensão política e aversão ao risco

Indicadores refletem incertezas internas e pressão externa no cenário econômico

MERCADO

Equipe Feed Financeiro

12/7/2025

A semana termina marcada por forte oscilação no mercado financeiro brasileiro, com queda expressiva do Ibovespa e valorização significativa do dólar comercial. Embora o ambiente externo tenha se mantido relativamente estável, os fatores domésticos ganharam protagonismo e redesenharam o humor dos investidores. A combinação entre tensões políticas, ajustes nas expectativas de risco e movimentos defensivos acabou pressionando a Bolsa e impulsionando o câmbio, dando um tom negativo ao fechamento semanal.

O início da semana apresentou algum alívio, com o Ibovespa ainda sustentado por entradas anteriores de capital estrangeiro. Contudo, a percepção de incerteza aumentou à medida que fatos do cenário político ganharam destaque, afetando diretamente o apetite por risco. O resultado foi uma realização abrupta de lucros na bolsa, acompanhada de forte busca por ativos considerados mais seguros. Esse descompasso entre expectativas e reações práticas é típico de períodos de instabilidade, em que fundamentos econômicos cedem lugar ao comportamento defensivo.

Aversão ao risco pressiona o Ibovespa

O Ibovespa encerrou a sexta-feira com queda de 4,31%, aos 157.369 pontos, marcando sua maior retração diária desde fevereiro de 2021. O movimento acompanhou um aumento expressivo no volume negociado, refletindo uma retirada coordenada de investidores de setores sensíveis ao risco — especialmente bancos, petrolíferas e companhias de grande peso no índice. O tombo da sessão anulou parte dos ganhos recentes e destacou como mudanças abruptas no ambiente institucional podem gerar impactos de grande magnitude.

Mesmo com o desempenho negativo da semana, o Ibovespa segue com valorização acumulada no ano, sustentada principalmente pelos ciclos de alta registrados ao longo de 2025. Ainda assim, a reação desta semana demonstra que avanços anteriores não são suficientes para blindar o mercado quando o vetor político ganha força. A volatilidade observada reforça que momentos de correção podem surgir de forma inesperada e intensa.

Dólar sobe com busca por proteção e incerteza doméstica

Enquanto a bolsa sofria pressão vendedora, o dólar comercial registrava forte alta. A moeda encerrou o dia cotada a R$ 5,433, impulsionada pela fuga de capital e pela preferência por posições dolarizadas diante do aumento do risco doméstico. A valorização da moeda norte-americana levou o câmbio ao maior patamar em quase dois meses, acendendo alertas sobre possíveis impactos inflacionários.

A pressão cambial afeta diretamente setores dependentes de importações, aumenta custos logísticos e cria um ambiente de maior cautela para empresas expostas ao dólar. Além disso, reforça a percepção de que o real permanece vulnerável em momentos de incerteza política. O movimento da semana mostra que, mesmo sem choques internacionais relevantes, fatores internos foram suficientes para alterar profundamente o comportamento dos preços.

Imagem meramente ilustrativa

Principais informações

  • Ibovespa: 157.369 pontos (–4,31% dia / –1,07% semana)

  • Dólar comercial: R$ 5,433 (+2,31% dia)

  • Maior queda diária desde 2021

  • Dólar atinge maior nível em quase dois meses

  • Bancos lideram perdas

  • Aversão ao risco domina a semana

Opinião Feed Financeiro

A intensidade dos movimentos desta semana revela o quanto o mercado brasileiro segue sensível às mudanças no ambiente político. Mais do que indicadores econômicos, foi a percepção de imprevisibilidade institucional que orientou as decisões dos investidores. Esse tipo de comportamento, comum em economias emergentes, reforça a importância de compreender que volatilidade não é um ruído ocasional, mas parte da dinâmica do mercado financeiro.

Para quem investe, isso significa que estratégias sustentadas apenas em momentos favoráveis tendem a ser frágeis. A consistência no longo prazo depende de resiliência emocional, disciplina e compreensão de que ciclos negativos fazem parte do caminho. Manter uma visão clara, evitar decisões precipitadas e preservar a lógica por trás de cada escolha é o que permite atravessar períodos turbulentos sem comprometer objetivos maiores. A instabilidade muda o ritmo, mas não precisa mudar a direção de quem planeja com fundamento.

Fontes: InfoMoney, Poder360, CNN Brasil